Henrique Veltman

 
             
             

 

 

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Os judeus na Amazônia

Em janeiro de 1983, o Beth Hatefutsot, o Museu da Diáspora da Universidade de Tel-Aviv, Israel, encomendou ao jornalista Henrique Veltman e ao fotógrafo Sérgio Zalis, a realização de uma documentação sobre o que até então era uma história muito pouco conhecida: a saga dos hebraicos na longínqua e misteriosa Amazônia.

Durante um mês, Veltman e Zalis percorreram aquela imensidão, começando por Belém do Pará, seguindo depois para Cametá, às margens do rio Tocantins. Dali, partiram para Abaetetuba, Alenquer, Santarém, Óbidos, Maués, Itacoatiara, Manaus, Porto Velho e Guajará Mirim.

Em todos esses lugares, a dupla encontrou judeus, descendentes de judeus e registros impressionantes da passagem dos judeus de origem marroquina pela Amazônia.

Veltman elaborou um texto, até hoje inédito no Brasil, e Zalis produziu milhares de fotografias. Com esse material, o Museu de Tel-Aviv realizou, em outubro de 1987, uma exposição sobre os judeus na Amazônia. Essa exposição, que depois percorreu o mundo, de Londres, Paris, Roma e Madri, ao Marrocos e aos Estados Unidos, também continua desconhecida do público brasileiro. Foi a exposição do Museu, em Israel, de maior afluência de público, até hoje..

O rei Hassan II, do Marrocos, visitou a exposição em Paris, daí resultando um convite a Veltman para que prosseguisse em suas pesquisas sobre a presença judaico-marroquina na Amazônia. Isto aconteceu em 1988, quando uma equipe de televisão, comandada por Fábio Golombek e acompanhada por Henrique Veltman, viajou por todo o Marrocos, buscando os elos de ligação entre os judeus, o Marrocos, o Brasil e o Estado de Israel. Dessa viagem resultou um documentário de TV, inédito no Brasil, “Marrocos, uma nova África”.

Em 1990, a RAI, televisão estatal italiana, encomendou a uma produtora local a realização de um pequeno documentário sobre os hebraicos da Amazônia.

Esse documentário, produzido por Carlos Nader e dirigido por Henrique Goldman, correu o mundo inteiro, e foi exibido no Brasil, pela TV Cultura de São Paulo. Em Israel, em 1991, foi exibido no horário e dia mais nobre da TV israelense, o especial de “Tishabeav”. Foi apresentado nos principais países europeus, com grande repercussão, sobretudo na Inglaterra, França, Itália e Bélgica.

Um livro com o texto da pesquisa, mais as fotos de Sérgio Zalis, seguramente teria repercussão nacional e internacional. Além do texto original, uma introdução contando tudo o que se passou, desde 1983, inclusive um alentado capítulo sobre a conexão Marrocos-Brasil.

Em Guajará Mirim,  David d'Israel e neto
  Em Guajará Mirim,  David d'Israel e neto

  A família Benzaquem, em Alenquer
A família Benzaquem, em Alenquer

JUDEUS NA AMAZÔNIA

Ninguém sabia do paradeiro do jornalista Henrique Veltman. Durante um mês – janeiro – ele sumiu de circulação e ninguém sabia dizer como localizá-lo. Era muito estranho, porque normalmente suas viagens não duram mais do que uma semana. Além do mais, de hábito, Veltman sempre deixa os endereços e locais por onde se locomove. Porque ele é procurado pelos jornais para dar informações ou comentar problemas candentes que ocorrem no Oriente Médio.

Outro dia, o mistério se desfez: Veltman passou o mês todo de janeiro na Amazônia. Junto com o fotógrafo Sérgio Zalis, ele realizou extensa pesquisa na região, a serviço do Beth Hatefutsot, o Museu da Diáspora da Universidade de Tel Aviv. Foi descobrir “a história dos judeus marroquinos, procedentes das cidades de Tanger e Tetuan, que habitam a região.

Henrique e Sérgio iniciaram sua viagem em Belém do Pará, passando em seguida por cidades e povoados como Cametá, Abaetetuba, Santarém, Óbidos, Alenquer, Oriximiná, Parintins, Manaus, Maués, Itacoatiara, Porto Velho, Guajará-Mirim”.

Resenha Judaica (16.06.83)

 

OS HEBRAICOS

Eles se autodenominam os hebraicos e são uma população estimada em cerca de 50 mil pessoas: descendentes dos judeus do Marrocos que vieram “fazer a Amazônia” na época áurea da borracha, se espalham de Belém a Guajará-Mirim, quase na fronteira da Bolívia”

“A memória visual dos hebraicos está documentada em uma exposição, atualmente montada no museu da Diáspora, em Tel Aviv. São 60 fotografias escolhidas entre as quase duas mil tiradas por Sérgio Zalis, mais um ensaio do jornalista Henrique Veltman”.

Jornal do Brasil (4.11.87)

 

MARROCOS, uma nova África

A idéia do documentário surgiu do trabalho desenvolvido em 1982 e 1983 pelo jornalista Henrique Veltman a respeito da imigração judaico marroquina no norte do Brasil.

Deste trabalho resultou uma exposição patrocinada pelo Museu da Diáspora da Universidade de Tel-Aviv e aberta ao público, em Israel, em 1987, com grande sucesso.

A repercussão na imprensa mundial alcançou o governo do Marrocos, que convidou Henrique Veltman a prosseguir este trabalho no norte da África. Sob a direção de Fábio Golombek, a JPO Produções encampou o projeto com a sugestão de que fosse feito um documentário para a televisão. Após algum tempo de negociação, o governo marroquino aprovou a idéia. A equipe saiu do Brasil no dia 18 de novembro de 1988, e percorreu o Marrocos de norte a sul, em uma viagem fascinante.

Folha de S. Paulo (02.01.89)

 

DOCUMENTÁRIO SOBRE
JUDEUS SURPREENDE

Chegando em Marte, o astronauta judeu pergunta a um ET local: você fala ídiche ? Essa piada exemplifica o quanto os judeus se dispersaram não só depois da destruição do templo de Jerusalém e abolição de seu país no ano 70 da era cristã, mas mesmo antes, formando o que viria a ser conhecido como Diáspora. Por isso, não deveria ser surpreendente encontrar judeus nos quatro cantos do mundo. No entanto, o documentário Os judeus na Amazônia (1990), de Henrique Veltman e Henrique Goldman, possui esta qualidade: a de surpreender.

Não são poucas as surpresas. Caboclos judeus, com nomes tipicamente judeus, morando em choupanas ribeirinhas. Uma família, de nome Levy, proprietária de uma companhia de barcos fluviais. Um rabino ortodoxo familiarizado com a macumba passeando no meio de uma feira paraense.

A sepultura de um rabino, com inscrições em língua e caracteres hebraicos na sua lápide, sendo reverenciada pelos cristãos do lugar como se fosse um santo milagreiro; mas reverenciada à maneira judaica, ou seja, não com flores e oferendas, e sim com a colocação, pelo visitante, de uma pedra.

(...) O documentário é ágil, objetivo e demonstra, em rápidas pinceladas, que os judeus, como qualquer outro grupo humano, tendo tempo suficiente e condições de paz, adaptam-se e aclimatam-se a qualquer meio, tornando-se, aos poucos, indistinguíveis do resto da população, substituindo até mesmo o vinho ritual pela cachaça. Cabe agora, levantada a curiosidade, levar adiante as investigações para determinar o tamanho e a antigüidade da comunidade.

Nelson Ascher, Folha de S.Paulo, (18.8.91)

 

INCRÍVEL HISTÓRIA DOS
JUDEUS NA AMAZÔNIA

Eles teriam vindo do Marrocos, há 200 anos; é o que uma equipe brasileira, liderada pelo jornalista Henrique Veltman, pretende mostrar num documentário a ser exibido em rede nacional. (...) Os judeus caboclos chegam a 60 mil e mantêm vivas as tradições e leis judaicas. Entre as suas atividades está o comércio de peixe congelado.

Mônica Tarantino, O Estado de São Paulo, (11.12.88)

 

MEMÓRIA JUDAICA:
a história dos judeus no Brasil

...o trabalho mais interessante apresentado no I Encontro Nacional de Memória Judaica Contemporânea, não veio de nenhuma instituição e tampouco fruto do trabalho de especialistas. Os hebraicos da Amazônia é um pequeno ensaio que o jornalista Henrique Veltman escreveu sob encomenda da Universidade de Tel Aviv.

Ele falou de improviso, lembrou que pelo menos um milhão de brasileiros são cristãos novos ou marranos, e ele vê, nesta gente, uma força política que não se deve desprezar.(...) acho que se deve dar mais atenção aos marranos vivos. A História do Brasil é essencialmente judaica, e temos que conseguir que se coloque isso nos currículos escolares.

Zero Hora, Porto Alegre, 02.03.88

  "Uma família, de nome Levy, proprietária de uma companhia de barcos fluviais."
"Uma família, de nome Levy, proprietária
de uma companhia de barcos fluviais."

JUIFS D’AMAZONIE

La colonisation de l’Amazonie est une histoire essentiellement judaïque, affirme le journaliste Henrique Veltman qui, en janvier de cette année, a réalisé avec le photographe Sérgio Zalis une recherche dans la région pour le compte de Beth Hatefutsot, le musée de la Diaspora de l’université de Tel Aviv.

Tous deux commencèrent leur voyage par Belém, dans l’Etat du Pará, en passant ensuite oar des villes comme Cameta, Abaetetuba, Santarem, Obidos, Alenquer, Oriximina, Parintins, Manaus, Maues, Itacoatiara, Porto Velho et Guajara-Mirim...

L’histoire des hébreux d’Amazonie commence au siècle passé et revèle d’extraordinaires informations. Ces hébreux descendent des Juifs marocains des villes de Tanger et de Tetouan et atteignent aujourd’hui un effectif de 50.000 âmes

Ce qui est le plus importante, souligne Veltman, c’est qu’ils sont extrêmement conscients de leus origines et, pour une grande partie, attachès aux préceptes du judaïsme.

Paris Match, (junho, 83)

 

SOCIOLOGIST LOCATES
JEWS OF THE AMAZON

São Paulo (JTA) - Would you believe the Wandering Jews have left about 50.000 descendants still living in the Amazon ? A Brazilian sociologist-turned journalist has proof.

Henrique Veltman, a 47-year São Paulo writter, has documented major participation bt Moroccan Jews in the original European settlement of the Amazon. He has even found that in places intermarriage with Indians and mestizos (indians-black-portugueses-spanish) was so extensive that Hebrew words had crept into indigenous languages, and children and grandchildren of Jewish immigrants still kept some customs intact.

Jewish Telegraph Agency, Nova York, (mar.1983)

 

50,000 JEWS IN AMAZON

...among the news studies of Latin Jews is one being carried out by Mr. Veltman, financed by Mr.Klabin, for the Museum of the Diaspora in Tel Aviv. This documents major participation by Moroccan jews in the original European settlement of the Amazon and suggests that there may be 50.000 descendents still living in remote river communities in the area.

Mr.Veltman found that even in places where intermarriage with indians and mestizos was so extensive that Hebrew words had crept into indigenous languages, children and grandchildren of Jewish immigrants still kept some customs intact
.

The New York Times (23.10.83)

 

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Lumic  Feb-07